Vi uma janela azul,
Não era grande; pequenina como os meus desejos,
Sim, uma pequenina janela azul.
Logo abaixo dela muitas flores: vermelhas, roxas, amarelas...
Sim, era uma pequenina janela azul,
incrustada numa parede diferente, cor de rosas, que mais
lembrava uma passagem para o país das maravilhas,
Sim, na parede havia uma pequenina janela azul.
A janela azul era pequenina em suas dimensões
físicas, mas era singela, lembrava uma passagem,
uma passagem para um tempo que se foi: amigos, bola de gude,
banhos em bonecas; um tempo de grandiosidades, de tesouros mil.
Sim, a pequenina janela azul era enorme em suas forças,
mas não era maior do que a inveja, a desgraça a que
foi imposta; não era maior que as mentiras contadas em nome
da liberdade, do respeito, da honra...
A pequenina janela azul não era maior do que a inversão
de valores a que seus heróis foram submetidos;
Sim, eu a vi sozinha, mas parecia, mesmo assim, feliz.